O regresso

A meio do regresso da praia, escalando a Dune du Pilat


Todos os passeios, mesmo os longos e longínquos, têm um fim – o regresso. Traz-se na mala a barrinha da alma nos 100% e o coração cheio de momentos para recordar. Mas se o ato de regressar não for repentino, como arrancar um penso da pele sarada, pode tornar-se doloroso.

Naquela viagem, de carro por estradas longínquas até à Escandinávia, em 2008, o regresso estava marcado e esperava-nos a travessia da Península Ibérica em diagonal, a partir do País Basco até à ponta mais ocidental do nosso cantinho à beira-mar plantado. Ou seja, cerca de 1000 km para fazer num dia. Por mero capricho de última hora, e talvez porque não apetecia ainda regressar, fizemos um desvio para a costa francesa no Golfo de Biscaia, perto de Bordéus, e fomos parar à Dune du Pilat.

É uma paisagem deslumbrante. Uma duna enorme, com cerca de 100 metros de altitude, separa o mar azul do oceano Atlântico do mar verde – até perder de vista – da floresta maciça do parque natural Landes de Gascogne.

Azul, amarelo e verde, uma visão que não esquecerei e que me arrebatou por tão inesperada e grandiosa. Propiciou o último banho do ano, em meados de outubro, nas águas tranquilas do oceano.


Que o nosso mais recente regresso nos surpreenda também e nos recorde a lição: em cada esquina que se dobra no nosso caminho poderá encontrar-se um momento especial para guardar no coração.

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