Destino de uns e de outros

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Corvo poisado na sombra da copa de um pinheiro da ilha de Miyajima, no Mar Interior, perto da baía de Hiroshima


Aves há, não raras, que, penduradas no seu galho, são favorecidas pelos ventos e marés, sucedendo, até, que os ramos da árvore onde pairam se soçobram para lhes fazer sombra e lhes cuidar de um abrigo.

As aves, prevenidas, meneiam as suas penas para afagar os braços que as suportam, chilreando encantamentos sobre os ramos à deriva. Tanto se vergam, os ramos, até que racham, abrindo vulnerabilidades e perdendo a firmeza de outrora, que um ramo não pode deixar de ter. Passam a lenha. Ninguém lamenta o destino de um ramo, por mais dado que ele se tenha revelado.

E assim as aves, enfastiadas, batem as suas asas ondulantes em busca de novo poiso que as aguente, alimente e não as apoquente. Porquê olhar para trás? Para um galho ressequido e entortado, até se goza com aquele formato.

Tanto lhe cuidam do ninho com elevado primor, que as suas asas, preguiçosas, se vão infiltrando de torpor. Quando o ramo soçobrar, aquelas asas hão-de lhes falhar. E as entranhas da terra as acolherão de pronto, quando no chão, desavindas, cairem com estrondo.


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