As mil janelas

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Hawa Mawal, ou como quem diz, o palácio dos ventos, em Jaipur, no coração do Rajastão


Nem mil janelas fazem as vezes de uma só porta. Para espreitar a rua, a janela dá conta do recado. Mas para sentir a rua, há que passar por uma porta, que se aconselha que seja térrea.

Sentir a rua não se reduz ao contacto entre o chão que pisamos e as terminações nervosas que abundam na planta dos nossos pés, aquelas que nos transmitem as irregularidades, as imperfeições do relevo, a inclinação do caminho. Sentir a rua acarreta sensações, implica sujeição, traz algum risco por não conhecermos inteiramente o que irá acontecer, com quem nos iremos cruzar, trocar o olhar ou desejar “bom dia”.

Há na rua uma incógnita que varia em função de um número incerto de fatores. Algo que, mesmo inclinados de que forma for sobre a janela, o ângulo possível de observação não permite ver – muito menos sentir.


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