Salinidade

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Areal da Red Beach, na ilha de Santorini, na Grécia.


Somos como o mar. Temos a nossa temperatura, a variar ao sabor das correntes que vão e vêem de longe. Temos o nosso tom, reflexo do ambiente que nos cerca. Temos a nossa densidade, dependendo da nossa profundidade e do que vive e esmorece no nosso interior. Somos, em diferentes graus, de natureza resiliente. Persiste a mesma matéria, mas atravessamos elasticamente diversas formas. Quando sacudidos pelo vento, o nosso aspeto altera-se. Se  empurrados pelo vento até à costa, somos testados. Somos abnegados agentes de erosão. Talvez seja vocação. Atirados contra rochas, atirados contra o chão, movendo-nos em ondas formadas em turbilhão. Manifesta-se assim a nossa salinidade. Dependerá da densidade que nos assiste. O embate contra o estático e o permanente é um desafio. O choque com a rigidez agita o nosso ser, soltando espuma e salpicos. Mas face à diferença de condição, não nos atemorizamos pelo desafio. O sólido contra o líquido aparenta resultado conhecido. Mas, na cadência das ondas, vamos persistindo. Vamos criando a imponência que o mar reclama para si. Vamos crescendo, criando imagens de espetacularidade. Nuvens de água e sal lançadas pelo ar, partindo do impulso das ondas sobre os rochedos, em obstinado ricochete.

Não somos como um lago, de água doce e tranquila. Somos mar, temos marés e uma imensidão de densas profundezas por descobrir, em constante evolução. Não pensamos em desistir, só em existir.

Quero ser denso o suficiente para, perante os embates da nossa vida, cobrir suavemente os teus pés como um manto de espuma. Porque mais que qualquer rijo rochedo de qualquer costa, o meu amor por ti é permanente.


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