Mudança de planos

Água retida numa mini-represa no Palácio de Monserrate, na serra de Sintra


Vezes há em que avistamos todos os elementos que se deparam à nossa frente. Não há obstáculos nem véus a cobrir o que quer que seja. Contudo, acaba por ser difícil ver todos os elementos com nitidez em simultâneo. Uns elementos ficam em segundo plano, permanecem codificados porque o olho humano foca somente a parte do todo que se afigura no mesmo vetor. Talvez a parte mais chamativa, mais dominante, mais cativante, seja a parte que prevalece e sobressai na primeira observação.

É preciso querer para se conseguir ver a parte que ficou em segundo plano. Querendo, o olho humano adapta-se e o que estava em segundo plano passa a primeiro. Assim, apesar de avistarmos exatamente os mesmos elementos, passamos a ver de forma diferente. Bebemos outra perspetiva que, até então, estava a passar despercebida. Pode ser que não mude nada quanto ao que sentimos ao ver aquele conjunto específico de elementos. Também pode ser que algo mude, que nos refresque e que nos faça compreender melhor.

Ver as circunstâncias da vida sob outra perspetiva nem sempre implica ficar de pernas para o ar. Pode ser só uma questão de focagem.

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A lente fotográfica é pródiga na demonstração deste facto.


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