Mosaico prosaico

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Artista (de rua, penso eu) apresenta os seus trabalhos num expositor com a altura da muralha interior de Cracóvia, à esquerda do Portão de São Floriano


Seduz-me a disposição de retratos em mosaico, desalinhados nas suas esquadrias mas em simbiose na sua composição. Reparo que, neste caso, é a jarra das flores vermelhas que cativa o meu olhar, numa primeira instância. Sigo depois o olhar para o canto superior direito e percorro a imagem no sentido sos ponteiros do relógio. Mas o mero olhar para aquelas imagens não me leva para outras paragens.

A página principal deste blog é um mosaico de imagens que me dizem muito. As imagens estão alinhadas porque revelam somente um excerto, na forma quadrada, da fotografia no seu formato original. Esse alinhamento não reduz o encantamento que o meu olhar sobre aquela matriz lança sobre mim. Sei que as imagens são somente um pedaço da fotografia original e que, por sua vez, a fotografia original é somente um belo momento de uma viagem e que, por sua vez, aquela viagem é somente um episódio da aventura que partilho com a minha amada companheira de viagens e que, por sua vez, aquela aventura é uma parte (decerto a mais importante) de quem sou.

As imagens do blog são escolhidas sem grande racionalidade. São as que se destacam ao meu olhar porque algo nelas despoleta um sentimento. Carregam palavras por descobrir, despertam-me a vontade de escrever, pois percebo que tenho algo a dizer sobre elas.

Tem sido um exercício salutar. Dou conta de estar francamente a gostar de construir este cruzamento entre passatempo e passa-palavra.


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