Os tons do céu

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Sol caminhando para poente na ponta mais ocidental da Europa Continental, onde a cruz marca o local do tesouro: este país luminoso


Cedo se aprende que o céu é azul. É uma definição precoce mas aceite pela comunidade em geral, pois simplifica a realidade e portanto é facilmente apreendida. Mas também é importante aprender cedo que até o céu pode ter várias cores. Esse facto devemo-lo ao sol.

Quando o sol começa a espreitar de manhã, poisado no horizonte, o céu assume um amarelo pálido, que passa por um lilás ténue, meio acizentado, até começar a azular. À medida que o sol levanta, o azul vai intensificando a sua tonalidade durante a maior parte do dia. Até que, num vôo em arco, o sol vai planando em direção a poente e aí, em incidência oblíqua, confere ao céu tons que variam num intervalo que vai do amarelo torrado, passando pelo laranja, talvez vermelho, até ao violeta, pintando as nuvens que por lá passarem naquele momento. Quando já desapareceu, o sol dá-nos mais uns momentos de luz ténue, apontando o seu brilho, já fugaz, para o céu, pintando-o de um tom pouco definido, algures entre o violeta e o azul escuro, cada vez mais escuro e mais escuro até que a noite cai, em breu.

Vivemos num planeta fantástico, que nos proporciona diariamente um belo espetáculo de cores. No entanto, raramente tiramos um momento do dia para o apreciar. Tem-se como um dado adquirido, torna-se corriqueiro porque, para além de ser rotineiro, está ao alcance de todos, ainda por cima. Nem tem que se pagar, o que torna difícil atribuir-lhe um valor.

Se surgir o dia em que o sol não aparece, iremos sentir a sua falta. Pela sua luz, pelo seu calor, pelas cores com que, em dedicação, colore o céu. Acho que, mais ainda, sentiremos a sua falta pela companhia, sempre presente. E talvez pela sua abnegação em nos presentear todos os dias, longos ou curtos, com a sua forma de amar.


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