Por entre os pingos da chuva

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Queda de água em arco no chafariz do Parque das Nações, em Lisboa


É a idade ou a experiência que nos traz o discernimento que nos permite evoluir, crescer, maturar?

Podemos experimentar muitas coisas em muito pouco tempo. Na maior parte das vezes, isso tornar-nos-á maiores do que éramos. Como acontece com o viajar. Só temos que deixar as sensações assentar para poderem consolidar. E depois partir para outra experiência, que se fundará na experiência anterior já dissolvida junto com o nosso ser.

Podemos experimentar muito poucas coisas em muito tempo. E a idade aumentará, mas temo que não se crescerá em igual ritmo. Quando se pára, o mais certo é que se atrofia a capacidade de absorver sensações, interrompe-se o crescimento e não se amadurece para um estado mais doce, apenas se envelhece a fibra do que fomos feitos.

Mesmo sabendo isto, de há muito tempo atrás, constato que o receio de arrependimento vence facilmente a vontade de viver mais. Tenho recusado ser maior porque aquele receio me resfria a alma. Uma opção menos certa (não precisa ser errada) fere com o ferrete da humilhação. Escolho ser menor para conseguir passar por entre os pingos da chuva, sem me molhar pela pretensa chacota de que fujo angustiadamente.

Escolho viver poucochinho (será esta a herança genética que partilho?) para não provocar a ira dos deuses do karma que restauram impiedosamente o equilíbrio sobre quem ousa querer mais do que tem, do que lhe está superiormente acometido. Porque é verdade que não preciso de mais do que tenho para ser feliz. Onde estará o melhor, o maior, o mais completo do que sou, ou do que estou a ser? Será que um dia, também eu, quererei saber?


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